quarta-feira, 4 de maio de 2016

Historia da Weekly Shounen Jump Parte 1



Yo!
Partindo pro último post referente à Shonen Jump dessa série, pelo menos por enquanto. Tenho muitas outras ideias e queria fechar um arco. E nada melhor do que falar da Shonen Jump, ela mesma! Se prepare para o maior e melhor dossiê da Shonen Jump!

Hoje, ela é sinônimo de revista Shonen, a faixa etária para garotos até o colégio. E apesar de ter sido uma revista de sucesso quase instantâneo, ela tem uma grande história por trás. E também em suas obras. Criada em 1968 para substituir a Shonen Book, levou apenas cinco anos para se tornar uma das maiores revistas no mercado ascendente do Japão dos anos 70. E depois de um período chamado de “Era de Ouro” da Shonen Jump, ela se tornou a revista mais vendida do Japão e do mundo, com números de venda maiores que o de publicações internacionais, como a People e a Newsweek, que vendem no mundo todo. É onde nasceram muitas das mais populares obras do mangá.
Mas tem coisas sobre ela que nem todo mundo sabe.
Primeira equipe da Shueisha, 1926
Primeira equipe da Shueisha, 1926
A editora da Shonen Jump, a Shueisha, nasceu em 1925. Curiosamente, ela era uma divisão de entretenimento de outra editora que hoje é uma de suas maiores rivais, a Shogakukan. Takeo Oga acreditava que não deveria mexer no foco de sua editora, que era educacional, mas havia interesse em criar revistas mais populares. A Shueisha foi uma divisão da editora em seus primeiros anos, mas logo se tornou uma ko-gaisha (empresa afiliada) da Shogakukan. Mas a Segunda Guerra Mundial e o racionamento de papel fizeram a Shueisha fechar suas portas e ser esquecida. Nesse período, a Shogakukan passou a publicar material de entretenimento, até um certo material chegar às mãos de Tetsuo Oga, filho mais velho do fundador Takeo Oga.
Tetsuo Oga se tornou presidente das empresas depois que seu pai, o fundador da Shogakukan, Takeo Oga, faleceu de repente. Na época, Tetsuo tinha apenas 13 anos de idade e mesmo sendo uma criança, liderou as empresas enquanto ainda frequentava o ensino médio. Só deixou de estudar aos 22, já formado e depois de tornar suas editoras em empresas de capital aberto. Sua carreira é impressionante e sem igual, ainda mais se levarmos em conta que em sua época, as escolas japonesas tinham um currículo bem mais pesado, com seis dias de aula por semana, em horário integral.
O nome do material que traria a Shueisha de volta era Shonen Oja (O Jovem Rei), uma série de histórias de Kami Shibai, espécie de teatro itinerante usando desenhos para narrar a história e considerado o caminho natural do mangá para o que é hoje. Shonen Oja virou livro ilustrado em 1947, marcando o retorno da Shueisha. A obra foi carro chefe da revista Omoshiro Book, que se tornaria a Shonen Book e depois, a Shonen Jump mensal, que hoje é a Jump SQ. Mas na época, a revista era mais um almanaque de atividades e matérias divertidas, com contos e histórias ilustradas. Mangá ainda não era popular.
Shonen Oja
Shonen Oja
Em 11 de Julho de 1968, a Shonen Jump saía no mercado japonês. Sua primeira edição só tinha duas séries, todo o restante eram histórias fechadas, one shots. E entre elas, havia um capítulo de Flash Gordon, de Dan Barry, uma história americana, algo incomum para antologias de mangá. Na sequência, Mandrake, Guerra dos Mundos e outras histórias em quadrinho americanas foram colocadas para preencher espaço da revista. Somente depois de um ano que a lista seria só de material original da Shonen Jump. E durante a década de 80, a Shonen Jump chegou a ter páginas dedicadas a ensaios fotográficos, como suas concorrentes, um fato pouco sabido, já que a Jump é uma das poucas revistas que não usa esse artifício. Mas isso durou pouco, somente o suficiente até uma nova era começar.
ShonenJumpEarlyCovers
A Shonen Jump tinha como grande trunfo seu primeiro editor-chefe, um visionário que ousou repensar a forma como era organizada uma revista de mangá. Seu nome era Tadasu Nagano, um editor polêmico, que quase saiu da empresa por suas brigas sobre os rumos das revistas em que trabalhou. Foi convencido a ficar pelo dono do grupo editorial, se tornando editor-chefe da nova Shonen Book, substituta da Omoshiro Book, onde ele teve a briga que quase mudou a história dos mangás.
Na Shonen Book, Nagano instituiu o sistema de enquetes que se tornaria famoso na Shonen Jump e imitado por todas as revistas. Mas mais do que saber o que os leitores achavam de cada edição, neste primeiro momento ele precisava saber o que os leitores queriam ler em uma revista de mangás. Estávamos em uma era de transição dos mangás. Então ele incluiu em sua primeira pesquisa ainda feita em campo, três perguntas subjetivas que chegariam a uma resposta que praticamente define o que é o mangá para garotos.
-Qual a palavra que mais acalenta o seu coração?
-Qual a palavra mais importante para você?
-Qual a palavra que você mais deseja?
A resposta? AMIZADE, ESFORÇO E VITÓRIA.
Isso criaria um lema que seria herdado pela Shonen Jump pouco tempo depois.
Nagano ficou famoso por usar as enquetes de forma inteligente, sabendo fazer as perguntas exatas e ler as respostas da forma certa, chegando às soluções editoriais que mais atendiam seu público. Ele criou o formato editorial focado no leitor, chamado de Ènquete Shugi, que ia contra os alicerces do outro modelo, o Henshu Shugi, que diz que os leitores não sabem o que realmente querem ler e os editores precisam saber o que produzir.
Primeira capa de muitas. Estreia Dragon Ball
Primeira capa de muitas. Estreia Dragon Ball
Durante a década de 80, uma sucessão de histórias bem sucedidas criaria uma era sem igual para qualquer revista de mangá, onde um grupo de editores acima da média conseguiu juntar uma equipe de artistas de qualidade, criando materiais extremamente populares.  Historicamente, o período que ficou conhecido como “Era de Ouro da Shonen Jump” começou em 1984, ano em que o mangá Dragon Ball começou. Ele não foi o primeiro dessa era, que já tinha Saint Seiya (Cavaleiros do Zodíaco), Sakigake! Otoko Juku e Captain Tsubasa, mas é usado como referência principalmente por ser o maior responsável por todo o sucesso que viria.  Sucesso esse que era tão grande que eles almejaram pela primeira vez o mercado internacional, anunciando em um outdoor de grande alcance no mundo: o carro de Ayrton Senna, na McLaren! Foi a primeira vez que uma editora japonesa sequer cogitou explorar o mercado externo. Além disso, a Shonen Jump ainda fez um mangá sobre o corredor brasileiro.
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Mangá de Ayrton Senna, da Shonen Jump. A republicação não acontece por falta de acordo com a família do corredor.
Uma figura chave para a Era de Ouro da Shonen Jump não é exatamente um autor, e sim um editor. Kazuhiko Torishima foi o editor de sucessos como Video Girl Ai, Dobberman Keiji e Dragon Ball. Assim como o primeiro editor chefe Nagano, ele era um visionário e ditou muito do que seria o próprio mercado de mangá nos anos por vir. Ele acreditava muito no mediamix, o cruzamento entre as várias mídias de entretenimento, tornando uma obra ainda maior do que era. Assim, fez coisas como incentivar a criação de um anime de Dr Slump, que virou um sucesso tão grande que ditou moda na sociedade da época e criou o hábito de tornar mangás de sucesso em animações para a TV. Ele também esteve muito ligado ao projeto de Dragon Quest, cedendo Akira Toriyama como designer de personagem e monstros em troca de poder usar o nome da marca na Shonen Jump, resultando no mangá Dai no Daibouken (Fly, o Pequeno Guerreiro). O game se tornou o maior sucesso da história dos video games até então, virando notícia pelas filas enormes que se formavam para comprar a fita, e sua exploração em mangás era exclusiva da Shonen Jump. Um golpe de mestre.
Mashirito
Kazuhiko Torishima, o real e o de Bakuman
No começo da Era de Ouro, a Shonen Jump chegou ao recorde de 4 milhões de cópias semanais. Esses números passaram a subir a cada semana, chegando ao topo na década de 90, quando a revista chegou a 6,8 milhões de cópias semanais, recorde para qualquer publicação, registrada no Guiness Book e imbatível até hoje. Infelizmente, as coisas já não iam muito bem na revista e muitos talentos já haviam migrado da revista ou não estavam mais obtendo o mesmo resultado de outras épocas. Foi quando o fim de Dragon Ball fez o número de vendagem cair para metade e no ano seguinte, o fim de Slam Dunk fez o número cair mais metade, sendo apenas uma fração do que era até alguns meses. Foi a pior crise da revista.
Uma queda desse tipo não significa apenas uma mudança de tiragem. No caso da Shonen Jump, haviam equipes com dezenas de empregados e máquinas caríssimas que cuidavam de imprimir a revista toda semana, em um ritmo frenético. Imagine que em um ano, metade de tudo isso perdeu sua função e precisou ser remanejado ou desligado. Pelo lado administrativo, isso levaria à falência uma empresa sem segurança. Como dizem, quanto mais alto se vai, maior a queda.
Torishima foi tão importante que anos mais tarde, quando se tornou editor chefe, ele iria salvar a editora da queda que o fim da Era de Ouro criaria. Foi ele que ajudou a levantar sucessos como One Piece e Naruto, chamou de volta Yoshihiro Togashi para fazer Hunter x Hunter, lhe dando pleno controle. Sua principal característica era a capacidade de tirar o melhor de seus autores, querendo eles ou não. Os obrigava a fazer até mesmo o que não queriam, como o romance em Dragon Ball e a mudança de rumo na carreira de Masakazu Katsura, que queria fazer história de heróis e ficou famoso por romances. Era por isso chamado de tirano por muitos deles, mas foi sua influência que levantou a revista e criou tantos talentos. Ele hoje é presidente da Shueisha, além de dividir seu tempo com a presidência da Shueisha-Shogakukan Production, empresa que cuida das licenças das duas editoras.
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Evento em que a Shogakukan Production incluiu a Shueisha, se tornando Shueisha-Shogakukan Production, que cuida das licenças, como no caso da Shonen Jump americana.
Hoje, Shogakukan e Shueisha são rivais. Uma publica a Shonen Sunday, que era sinônimo de mangá nas décadas de sessenta e setenta. A outra é o lar da Shonen Jump, que domina o mercado desde então. Elas ainda brigam em outros setores, já que hoje as duas publicam de tudo. Mas nunca deixaram de ser do mesmo dono, o grupo Hitotsubashi, da família Oga. O que aconteceu é que Tetsuo Oga sempre acreditou que as duas empresas cresceriam mais se fossem rivais, e não aliadas. E hoje o grupo é dono de duas das três maiores editoras de revistas do país, além de ter outras grandes em sua asa, como a Hakusensha, da Young Animal e Hana to Yume, e Shodensha, que publica a Feel Young e Zipper. Basicamente, para os mangás, significa que o mesmo grupo detém os direitos de materiais que vão desde One Piece, Dragon Ball e Naruto, até Berserk, Garasu no Kamen, Paradise Kiss, Nana, Usagi Drop, Inuyasha… Somente dois outros grupos editoriais batem com a Hitotsubashi: uma das mais antigas editoras, a Kodansha e o conglomerado de entretenimento Kadokawa Group.

Fonte:::::http://www.genkidama.com.br/xil/

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